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As redes sociais normalmente só nos levam a mostrar o lado bom da vida, mas também existe o menos bom e é sobre ele que hoje vou falar.
E porquê? Porque ninguém é feliz a toda a hora e ninguém tem a vida perfeita.
Não somos fortes todos os dias. Não somos corajosas todos os dias. Não somos de ferro todos os dias. Não somos fit todos os dias. Não nos sentimos bonitas todos os dias. Mas basta passar os olhos pelo instagram ou pelo facebook e a imagem que diariamente passamos é a de que é tudo maravilhoso. É tão importante mostrar que nem sempre é assim, para também podermos mostrar que existe a possibilidade de dar a volta. Se inspiramos os outros com o que comemos, com as viagens que fazemos, com as roupas que vestimos, porque não inspirar também a lutar, a mostrar que é possível?
A vida nem sempre é fácil e cada um de nós tem a sua batalha diária. Seja no trabalho, em casa, numa relação amorosa, na relação com o próprio corpo… Todos temos as nossas fragilidades.

Nunca falei muito disto, mas hoje vou mostrar-vos uma dessas minhas fragilidades – no fim do ano passado comecei a ter crises de ansiedade e ataques de pânico.

Acontecia-me maioritariamente durante a noite. Acordava e parecia que o mundo ia acabar! Parecia que a qualquer momento alguma tragédia ia acontecer e era um sufoco não saber o quê, nem como me preparar para isso. Parecia que a qualquer momento era eu própria que ia morrer.
Lembro-me de pensar muitas vezes que assim já percebia a razão de tantas vezes socorrer pessoas com ataques de ansiedade. A coisa é mesmo a valer!
Acho que a experiência que a vida profissional me trouxe nesse aspeto, foi a razão que me fez nunca chamar ninguém a dizer que ia morrer e que o mundo ia acabar – porque era mesmo o que eu sentia naquele momento!

Passado algum tempo começou a acontecer-me a mesma coisa durante o dia e muitas vezes quando estava rodeada de pessoas. Fui tentando sempre controlar, mas chegou uma altura em que era quase impossível. Já nem dormir conseguia só com medo de voltar a acontecer… Só aí fui ao médico. Saí de lá com medicação para dormir, com medicação para tomar em SOS, com medicação para acalmar…

Quando cheguei a casa, chorei até mais não… Não conseguia aceitar que ia ter que tomar medicação, não conseguia aceitar esta minha fragilidade, não conseguia perceber por que razão isto estava a acontecer comigo.

Com calma li os efeitos secundários da medicação. Li muito sobre a ansiedade e os ataques de pânico. Tentei tudo e mais alguma coisa.

Até hoje não tomei um único comprimido.

Aprendi a meditar e encontrei a minha forma de o fazer. Aprendi a respirar. Aprendi muito sobre a gratidão. Aprendi a perceber o que me ajudava a relaxar e consequentemente a dormir melhor. Aprendi a estar consciente dos meus pensamentos.

Aprendi a escutar o meu corpo. E assim encontrei o meu equilíbrio.

A mensagem que quero passar é de que é difícil mas é possível dar a volta. Seja com medicação, seja com terapias alternativas, seja com meditação…

Nunca desistam de vocês!