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Seis meses vou falar sobre o 15 de Outubro.
Seis meses depois ainda não me consigo conformar com a paisagem negra que existe em todo o lado. É certo que agora já existe algum verdinho pelo meio, mas até tudo voltar a ser como era vai levar anos.
O triste dia 15 de Outubro de 2017 levou a minha natureza perfeita com uma fúria que nunca antes tinha visto.
Faz este ano, 8 anos que visto esta farda e nunca me custou tanto vesti-la como nesse dia!
Creio que tenha sido um sentimento comum a todos os bombeiros que viveram este inferno… Foram dois dias intensos. O sentimento de impotência… O saber que não podíamos fazer mais mas mesmo assim querer fazê-lo de alguma forma. As criticas por não estarmos em todo o lado. Por não fazermos mais… Os gritos das pessoas… Os pedidos de ajuda quando não podíamos fazer mais… A destruição a acontecer à frente dos nossos olhos…
Não é fácil estar a cumprir a missão de ajudar os outros quando sabemos que a nossa família está, também ela, a passar por maus momentos e a precisar de ajuda… E nós? Nós simplesmente não podemos abandonar o nosso trabalho e ir a correr para lá…
Não é fácil estar a cumprir a nossa missão quando passamos 20, 30, 40 horas acordados, tantas vezes mal alimentados porque simplesmente o fogo não pára para que possamos ir dormir 4 ou 5 horas, ou “perder” uma hora a fazer uma refeição em condições.
Saí de casa domingo de manhã e regressei na segunda perto da meia noite. Só aí é que tive noção da destruição aqui à volta. As minhas corridas nunca mais foram as mesmas. Os meus passeios com a Mel nunca mais foram iguais. Nunca mais nada foi como antes…
Nesse dia, quando tentei dormir, na minha cabeça só existiam chamas, casas a arder, pessoas a gritar… Nem o cansaço de quase 40 horas sem dormir, me fez cair na cama e dormir, dormir, dormir… Bem pelo contrário! Levei uns bons dias e digerir tudo isto…

Seis meses depois… Ainda custa…