O texto que não queria escrever

14240515_1694366044219445_910083580_n

Estamos no início desta aventura, e como tal estamos com mil ideias na cabeça, ainda na semana passada enquanto tratávamos de alguns pormenores, comentávamos como são tantas as histórias, receitas, entre tantas outras coisas que queremos partilhar. Para já parecem um sem fim, tanto que por vezes nem sabemos por onde começar.
E desde a última receita até hoje de manhã era esse o meu dilema, sobre o que escrever hoje, tantas possibilidades, uma já longa lista de temas, mas a vida trocou-me a voltas como tantas vezes nos faz. Tirou-me as palavras e a vontade de escrever de tão perplexa e nervosa que passei o dia.
O domingo que tinha idealizado, com os últimos momentos desta verão tardio a serem aproveitados ao máximo fora de casa, deixando uma parte para escrever, foi trocado por um dia com o coração nas mãos, literalmente, com os olhos fixos ora na televisão em busca de notícias, ora no telemóvel nas redes sociais ou a tentar ligar para saber novidades.
Logo pela manhã as redes sociais adivinhavam um presságio sobre o que viria a ser o dia. O início de um incêndio com o vento e o calor que já se faziam sentir tinha tudo para tomar proporções incontroláveis, e assim foi.
Foi um dia duro, grande parte dele sem notícias, as comunicações falham, resta o medo, a angústia e a espera. As redes sociais não traziam nada de bom, a televisão muito menos. Cada telefonema realizado cheio de falhas de rede era assustador com as notícias que trazia.
Estou longe fisicamente mas o meu pensamento esteve e está nas minhas origens, nos meus. Custa acreditar que esta tragédia chegou também a eles, a nós. Lembro-me que na infância vivi uma ou duas situações mais assustadoras, mas nada desta dimensão.
Não consigo acreditar que perderam alguns bens que tanto trabalharam para ter, não consigo acreditar que o meu vale verde que entrava janela dentro está reduzido a cinzas, não consigo acreditar que para o ano a vindima será mais pobre, que a minha filha não vai mais comer fruta ao quintal, não consigo…

Di, sabes que tenho um orgulho imenso em ti, na tua coragem, por enfrentares este pesadelo tantas e tantas vezes na linha da frente.
A ti, aos que representas, um Obrigada.
Sei que são muitas as críticas, que são muitos os que queriam a vossa ajuda e infelizmente vocês não conseguiram ajudar, mas também sei que dão o vosso melhor.

 

One comment

  1. É uma tristeza que me inunda hoje também! O pinhal mais lindo, a Lagoa da Ervideira onde tantos bons momentos passei mais as minhas filhas, o pinhal manso… tudo desapareceu!

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s